Em agosto de 2018, fizemos uma trip em família para Cabaceiras, no interior da Paraíba. Cabaceiras é uma pequena cidade do cariri paraibano, com cerca de 5 mil habitantes. Fica distante 70 quilômetros de Campina Grande.
Família nas Sacas de Lã
O que fazer em Cabaceiras?
Letreiro Roliúde Nordestina
Ao entrar na cidade, você verá um letreiro gigante escrito em branco: "Roliúde Nordestina", escrito dessa forma abrasileirada da cidade Hollywood. Cabaceiras é um dos lugares mais renomados quando o assunto é produção cinematográfica. A região já registrou mais de 30 documentários sobre o sertão.
Letreiro Roliúde Nordestina
Depois de parar no letreiro para tirar uma foto na roliúde do sertão, você pode parar para almoçar no centro da cidade, no Restaurante Berro do Bode, com comida regional farta e preço acessível. A carne de bode não pode faltar na culinária de Cabaceiras. A cidade possui o terceiro maior rebanho de caprinocultura (cerca de 20 mil cabeças entre 400 caprinocultores). Anualmente acontece a Festa do Bode Rei, que coroa o bode como rei dos animais do cariri por sua importância na economia da região e por sua resistência e adaptação à seca.
Cabaceiras é destaque na imprensa
A festa acontece entre maio a junho, com feira, cursos, artesanato, competições, forró pé-de-serra e a famosa tapioca com carne de bode (bodioca). É a maior projeção turística da cidade, onde o festival recria cenários de antigos castelos, com muradas reais, praça e a residência de sua majestade: o bode. Durante o evento, acontece o desfile da "comitiva real", composta pelo "bode rei", a "cabra rainha", príncipe e princesa nas principais ruas da cidade. O bode coroado torna-se monarca da cidade, até a próxima celebração, quando outro animal é escolhido. Como não fomos na época da festa, faremos um post específico pra festa do bode rei, quando conhecermos. Voltemos à Roliúde.
Museu Histórico Cultural dos Cariris Paraibanos
Fomos visitar o Museu dos Cariris, que fica na rua principal da cidade, em frente ao Restaurante. O museu apresenta a história dos moradores da região, através de obras que são verdadeiras relíquias, com documentos, peças e artesanatos desde a pré-história, com muitos materiais do índios cariris que viviam pela região do agreste, borborema e sertão.
São dois prédios de museu. Um deles serviu de cadeia pública da cidade que em 1910 foi invadida por um cangaceiro famoso chamado Antônio Silvino, que ateou fogo no local para libertar alguns presos. E no outro prédio era a residência oficial dos prefeitos. O prédio onde hoje é o museu, foi construído em 1890 mas já passou por restauração. Ainda hoje, o local preserva boa parte da arquitetura original.
O espaço abriga a história da caprinocultura, desde sua aparição na pré-história até os dias atuais, as indumentárias dos criadores de caprinos, apresentando toda a cadeia produtiva e sua a importância para a economia local, além de atrativo turístico e fonte de estudos. O museu também possui mais de 200 peças de referência ligadas à produção e cultura local, como louças, tamboretes, sandálias, radiolas, ferro de engomar, rádio, moinho, pilão, panelas de barro, colher de pau, abanador, máquina de datilografia, entre outras.
Chegamos em Cabaceiras num bate e volta para João Pessoa, no mesmo dia, num domingo. E o memorial estava fechado nesse dia. Pra nossa sorte, a mesma pessoa que nos atendeu no Museu dos Cariris Paraibanos foi pegar a chave do Memorial Cinematográfico e ela mesma foi nossa guia por lá.
Atores em cena no Filme "O auto da compadecida"
O museu reúne um pequeno acervo com fotos, revistas, DVDs e matérias de jornais dos filmes, documentários e minisséries gravados na região. O filme de maior destaque até hoje que mostrou Cabaceiras para o mundo foi "O Auto da Compadecida" obra do genial paraibano Ariano Suassuna. Para mim, especialmente, me senti dentro do filme (que já assisti umas dez vezes). O "Auto" é um clássico do cinema nacional e eu sou fã incondicional de Ariano e do Movimento Armorial.
O Auto da Compadecida - 1998
A ideia do memorial é muito interessante, porém carece de material e registros. Os próprios cineastas, produtores ou elenco, dos filmes rodados por lá, poderiam fazer doações de roupas dos filmes, acessórios, depoimentos ou mesmo fotos amadoras.
Cinema Paraibano: Marcélia Cartaxo e Nanego Lira
Além do "Auto da Compadecida" (Ariano Suassuna), mais de 30 filmes, documentários e minisséries foram gravados em Cabaceiras e seu entorno como "Cinema, Aspirinas e Urubus" (Marcelo Gomes), "Como Nascem os Fortes", "Romance" (Guel Arraes), "Beiço de Estrada" (Eliézer Rolim), "Garoto" (Júlio Bressane), "Por Trás do Céu" (Caio Soh), "Viva São João" (Andrucha Waddington), Madame Satã" (Karim Ainouz) ,"Canta Maria" (Francisco Ramalho Jr.), "Sâo Jerônimo" (Júlio Bressane) e "Cabaceiras" (Ana Bárbara Ramos). Recentemente foi gravado "O Mágico de Ó" de uma produtora carioca.
Bar do Zé de Cila
Quando saímos do Memorial Cinematagráfico, nossa guia nos levou ao bar do Zé do Cila. Uma figura clássica de Cabaceiras, que fez figuração no filme do Auto da Compadecida substituindo o ator Rogério Cardoso como dublê do personagem padre João. Ele é muito orgulhoso de ter feito essa participação no filme. Faz questão de dizer sobre as pessoas de outros países que o foram visitar, devido ao seu personagem no filme. Às vezes, ele se veste de Padre para receber os turistas. Na fachada da loja está escrito: "Amigo turista, seu lugar é aqui".
Zè de Cila, um dos figurantes do filme O Auto da Compadecida
Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição
Igreja do filme "O auto da compadecida"
Passeando a pé pela cidade, é possível conhecer vários lugares que foram cenas de filme como a casa do padeiro, a delegacia, o bar e a igreja do filme O Auto da Compadecida. A igreja é simples mas de beleza singular. E a cidade é tão limpa e organizada que parece uma cidade cenográfica.
Na paróquia matriz
Sacas de lã
Um dos atrativos de quem vai a Cabaceiras é conhecer os lajedos. Os mais conhecidos são as Sacas de Lã, o Lajedo Bravo, Lajedo Manuel de Souza e o Lajedo de Pai Matheus. Sobre esse último, vou fazer um post à parte. Como fizemos um bate e volta, não daria tempo de conhecer todos. Escolhemos conhecer o Lajedo Pai Matheus e as Sacas de Lã. Se você pretende ficar mais tempo para conhecer os demais lajedos, hospede-se nas pousadas e hotéis disponíveis como: o Hotel Fazenda Pai Matheus, Pousada Berro do Bode, Vale Verde Pousada, Hotel Xique Xique, Hotel Varandas ou Pousada Familiar Shalom.
Indo para as Sacas de Lã
As Sacas de Lã são formações rochosas de 33 metros de altura, localizadas na Serra da Borborema, dentro de uma área particular, o Hotel Fazenda Pai Matheus. Seu nome é devido ao seu formato com blocos de pedras sobrepostas (matacões) semelhantes a grande cargas de fardo de algodão para fazer lã. Foram esculpidas pela natureza em forma de um grande paredão. Para visitar o espaço é preciso tanto pagar um ingresso quanto contratar um guia da região. O hotel já dispõe de seus próprios guias e os passeios saem geralmente nos mesmos horários pela manhã e à tarde. Nosso passeio foi à tarde e o nosso guia foi o Ribamar. O ingresso já dá direito à entrada e ao guia.
Sacas de Lã
O guia foi conosco no carro. saímos quatro carros com as famílias. Mesmo de carro, era um pouco distante para chegar nas Sacas de Lã. Ao chegarmos no ponto final para os carros, ainda fizemos uma boa caminhada. É possível escalar as sacas de lã por trás, mas quando o grupo está com crianças, o guia não sobe com o grupo, nem permite que as pessoas subam sozinhas, por segurança.
Sacas de lã
Nas Sacas de Lã foram gravadas cenas de 7 filmes nacionais: Cinema, Aspirinas e Urubus; Canta Maria, Romance, Tempo de Ira, Por trás do céu e a primeira cena da minissérie Onde Nascem os Fortes. E você? Se animou pra conhecer esse cenário literalmente de cinema?

















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