sábado, 15 de junho de 2019

Turistei por Colônia do Sacramento (Uruguai) - O que fazer em Colônia - Trip #29


Oi gente!

Vamos contar um pouco hoje como foi nossa experiência e o que fazer em Colônia do Sacramento no Uruguai.


Como chegar

Colônia fica em localização estratégica, a apenas duas horas de barco de Buenos Aires, cruzando o Rio de la Plata, e a apenas uma hora de carro de Montevidéu. Você pode fazer um bate e volta no mesmo dia de barco, saindo de Buenos Aires. Um dia é suficiente para conhecer a cidade. Mas, se você é daquelas pessoas que gosta de cidades históricas ou pequenos pueblos, se dê ao tempo para respirar o ar de Colônia e sentir a vida tranquila que se leva aqui, por pelo menos mais um dia.


Ruínas do Convento San Francisco

Partindo de Buenos Aires, a maneira mais rápida e tranquila é tomar um catamarã, que leva pouco mais de uma hora para atravessar as margens do Rio de la Plata e custa URG 1248. Sem falar que, além da vista, os barcos que fazem a travessia de Buenos Aires a Colonia del Sacramento são mais confortáveis que um ônibus e a empresa de barco que nós fomos, a Buquebus, possuem até Duty Free para compras. Recebemos um lanche com suco, fruta  e sanduíche. Existe outra empresa que também faz esse trajeto chamada Colônia Express, porém é mais cara. Dependendo do horário, oferecem até almoço. Você pode também tomar um ônibus, que vai levar cerca de 6 horas (aí, vale dar uma paradinha na praia de Carmerlo, no caminho) para realizar o trajeto.

Buquebus de Buenos Aires para Colônia do Sacramento


Partindo de Montevideo, a única forma de chegar em Colônia é de ônibus. Não existem mais viagens de catamarã nesse trecho, diferente do que muita gente pensa. Diversas companhias fazem o trajeto, nos mais variados horários. A passagem custa desde URG 365 pesos uruguaios. Ao chegarmos em Colônia, nos dirigimos a um balcão que nos indicaram, para pegar um ticket e seguimos para uma parada de ônibus próxima. Lá pegamos um ônibus turístico que passeou por toda a cidade, até os bairros mais distantes com uma guia nos falando sobre todos os pontos importantes. Passeamos por toda a orla, os bairros mais modernos com grandes casarões e a plaza de touros, entre outros. Acabando nosso passeio turístico, fomos almoçar e depois fazer nosso tour a pé pela cidade. 




História

Colonia del Sacramento é a cidade mais antiga do Uruguai, com cerca de 20 mil habitantes, e foi fundada por tropas portuguesas em 1680. Porém, esse era um momento de grande conflito entre Portugal e Espanha em uma busca de estender seus territórios. Por isso, logo que os espanhóis souberam da chegada dos portugueses ao novo local, começaram a tentar tomar posse dali. Isso fez com que a cidade presenciasse uma grande quantidade de batalhas.


Após o período colonial, o Brasil se tornou independente de Portugal em 1822, sendo que a Cisplatina (Uruguai) se tornou território brasileiro. Os habitantes locais não tinham nenhuma identidade com os costumes e a língua portuguesa que se tornou a oficial do Brasil, iniciando um processo de separação do território brasileiro. As disputas tiveram fim em 1825 quando a Cisplatina se separou do Brasil tornando-se o Uruguai.



Atualmente a cidade é Patrimônio da Humanidade e ainda mantém diversos resquícios desse período de conflitos. É a única cidade uruguaia colonizada por portugueses, por isso possui um estilo diferente de todas as outras. Devido ao seu charme, é uma ótima opção de parada entre Buenos Aires e Montevidéu. Colonia del Sacramento é a Parati do Uruguai.  A seguir alguns lugares que você pode visitar, estando em Colônia.

Farol de Colônia de Sacramento (El Faro)

No topo do farol de Colônia do Sacramento


O edifício começou a ser construído em 1855, utilizando parte da estrutura de um antigo convento, destruído em um incêndio. Foram as próprias embarcações, que utilizavam o porto de Colônia, que financiaram a construção, a partir do pagamento de uma pequena taxa extra. Ele foi inaugurado em 1857, com 34 metros de altura, contando com algumas parte da arquitetura original.

El Faro

O farol é todo branco e servia para ajudar as embarcações que passavam pela cidade. Antigamente, Colonia era considerada uma espécie de chave para os rios, pois com sua localização estratégica era possível controlar o acesso das embarcações aos rios Uruguai, Paraná e Paraguai. Desde que o navegador espanhol Solís navegou por esses mares em 1516, vários espanhóis, portugueses, ingleses e holandeses visitaram a região com suas embarcações.

El Faro


Atualmente,  o Farol virou atração turística. É possível subir ao farol, mediante o pagamento de uma pequena taxa de URG 20 pesos uruguaios (em torno de R$ 1,50). Mas é necessário checar em quais horários ele está aberto ao público (geralmente na parte da tarde). Possui muitos degraus até o topo e a escada é circular e bem estreita. Não dá para passar duas pessoas ao mesmo tempo. É um desafio chegar até o alto, mas para quem quer apreciar a vista, vale a pena. Não conseguimos ficar muito tempo no topo devido ao vento e ao frio. De lá é possível ver todo o centro histórico e o Rio da Prata. 



Rua dos Suspiros (Calle de los Suspiros)


A Rua dos Suspiros foi uma das primeiras ruas da cidade e continua com a mesma forma original há mais de três séculos. O calçadão de pedras e as casas ao estilo colonial português resistiram a passagem do tempo praticamente intocadas. A rua é reservada apenas para os pedestres, já que é bem estreita. Por isso, o passeio pode ser feito com bastante calma por esse trecho pavimentado com pedras que mescla as casas portuguesas e espanholas.

Calle de Los Suspiros

Algumas lendas giram em torno do local e existem três bem conhecidas. A primeira diz que os condenados à morte passavam por ali suspirando enquanto iam para seu trágico destino de serem fuzilados à beira do rio. A segunda diz que enquanto uma moça esperava pelo seu amado, uma adaga foi cravada em seu peito por um homem mascarado, dando assim, um longo último suspiro. A terceira, dizem que no século XVII essa era a rua “das mulheres de beijo fácil”, onde os marinheiros buscavam a última diversão antes de zarpar. Por isso, dado o “movimento” dentro das casas, os gemidos suspiros eram ouvidos da rua. Lendas à parte, o que vale mesmo é admirar centenárias casinhas em tom de rosa e registrar o momento.

Calle de Los Suspiros

Existe uma cultura dos queijos no Uruguai. Tem inclusive um queijo tradicionalíssimo no país criado nessa região: o queijo Colonia, através da técnica de elaboração de queijos que os Suíços trouxeram. Após a adaptação devido ao clima, do gado e outros fatores, surgiu uma nova variedade de queijo. No ano de 1891 havia cerca de 300 famílias de origem suíça e 100 queijarias instaladas em Colônia, Na Calle de los Suspiros existe o El Buen Suspiro, que vende tábuas de queijos, entre outras coisas.





Centro Histórico (Barrio Historico)

Essa provavelmente é a maior atração da cidade, isso acontece pela beleza da combinação de traços espanhóis e portugueses presentes na arquitetura. Caminhar sem rumo pelo centro histórico, que é tido como patrimônio cultural pela UNESCO desde 1990, é como fazer uma viagem ao passado pós-colonial, mais precisamente para os séculos XVII e XVIII, já que as ruas e os casarões foram preservadas para manter seu aspecto original, além de parte do muro que protegia a cidade.


Com nosso amigo paraibano Guilherme 



Tanto os muros quanto o portão tiveram que ser reconstruídas – as pedras originais foram usadas para tapar o foço da muralha e para edificar algumas construções, logo que o Uruguai conseguiu sua independência e a cidade deixou de ser uma área de conflito. Ao perder a importância econômica, Colônia foi abandonada por décadas, até surgirem as primeiras iniciativas para recuperar a cidade, no fim dos anos 60, já com a ideia de investir no turismo.




Puerta de La Ciudadela

Também conhecida como Puerta del Campo, esse era um dos principais locais de acesso à cidade na época em que os portugueses estavam pela cidade. Devido a sua beleza, é um dos principais pontos turísticos da cidade. Construída entre 1968 e 1971 , ainda conserva restos da antiga muralha que existia em Colonia. Junto ao portão há um centro de informações turísticas, bom para pegar um mapa turístico do local, que apresenta a localização e explicações breves de cada atração.

Puerta de la Ciudadela

Plaza de Touros

No começo dos anos 1900, empresários argentinos queriam transformar Colônia em um resort e fundaram um complexo turístico chamado Real de San Carlos, a cerca de 4 quilômetros do centro histórico, enraizado na história mais recente de Colônia. O lugar tinha um hotel cassino, um balneário estruturado, campo para jogar pelota belga (uma espécie de rugby jogada com raquetes) e até uma praça de touradas. O empreendimento não deu muito certo e permaneceu ativo por menos de vinte anos.

Plaza de Touros


Com um estilo espanhol, a Plaza del Toros Real de San Carlos foi inaugurada em 1910, mas só ficou ativa até 1912, pois nessa data foi criado um decreto do governo para colocar fim nas touradas. As touradas foram proibidas no Uruguai meses depois de finalizado o Coliseu, de forma que ocorreram apenas oito espetáculos antes do local ser fechado.  Devido ao risco de desabamento, a entrada não é permitida, assim só é possível ter uma vista de fora. Para mais informações e fotos é preciso visitar o Museu Municipal.

Tour guiado pela Plaza de Touros

Porto de Iates (Puerto de Yates)


Antes de contemplar a vista do Porto, fomos almoçar no restaurante La Trattoria de Cruz del Sur. Pedimos "bife de chorizo" acreditando que íriamos comer uma farta carne a parrilada, mas veio apenas uma linguiça. Não confundam Chorizo na Argentina com Chorizo no Uruguai! Pelo menos o polo (frango) e a salada era bem servidos. Após nosso almoço em um restaurante, tomamos uma garrafa de Medyo i Medyo. Uma mistura de vinho e champagne.  Tomamos umas taças à beira do rio, curtindo o horizonte do Porto de Iates com seus barquinhos e veleiros e a imensidão do Río de la Plata.



O Puerto de Yates, onde os barquinhos tremulam no ritmo das águas aparentemente calmas do Rio da Prata. Recomendo chegar com um sorvete artesanal ou um chivito, pra saborear a dois, sentados em um dos banquinhos do deck, de preferência ao pôr do sol. Se quer curtir o visual à moda uruguaia mesmo, recomendo levar sua garrafa de mate embaixo do braço. Um capuccino no Vintage Restó também cai bem.


Avenida General Flores

Essa é a principal avenida de Colonia del Sacramento e fica localizada no coração da cidade, onde se destaca a beleza de grandes árvores. Por ali você encontra diversas opções de restaurantes, comércios e bares, por isso, você pode aproveitar para fazer compras de souvenir ou aproveitar a vista, enquanto faz uma refeição ou toma algum drink. Andando por essa avenida também é possível atravessar o lado histórico da cidade. Para quem gosta de jogos, também há um cassino nesta avenida.

Thiago arrasando nas fotos

Marina e rambla

Toda a rambla (avenida) de Colônia del Sacramento é charmosa, seja a parte onde estão seus muros antigos, até as marinas. A rambla de Colonia del Sacramento é uma ótima opção para aproveitar a vista do Rio de la Plata. Mas como ela é dividida em duas partes, um lado está perto do bairro histórico, enquanto o outro é perto do estádio de futebol.




Circuito de Museus

Pra quem gosta de museus, não falta o que fazer em Colonia del Sacramento: Museu Indígena, Naval, Paleontológico, Português, do Azulejo, Espanhol e Municipal são alguns deles. O ticket deve ser comprado no Museu Municipal de Colônia do Sacramento, em frente a Plaza Mayor. Todos os museus ficam relativamente perto. Você vai passear por lugares lindos em Colonia do Sacramento e conhecer um pouquinho da história da cidade.

Museu Naval


Fazendo o circuito dos museus, o ingresso para um dá acesso a todos. São diversos museus que se pode visitar por um valor de 50 pesos uruguaios (cerca de 6 reais).  O Museu Naval não está no circuito, paga-se 10 pesos – mais ou menos 1,5 reais). O Museu não é grande, tem apenas duas salas pequenas. O Museu Municipal possui alguns itens indígenas e também uma parte dedicada à história natural.



A casa de Nacarello, que é uma casa de 1700, preservada até os dias de hoje, para que os visitantes possam ter uma ideia de como era a vida da população naqueles tempos. O Museu Português conta a história da época colonial e como viviam os soldados e escravos em Colônia do Sacramento. O Museu possui ainda a sala real, onde se reuniam os integrantes do alto escalão do governo. Ali é possível encontrar armas, escudos, uniformes e outros elementos da história bélica e política da cidade. Este é o museu mais completo de Colônia do Sacramento.

Museu Português


 O Museu Espanhol possui alguns artigos típicos como utensílios e vestimentas. O Museu do Azulejo é uma casinha linda portuguesa com alguns azulejos, erguida há séculos que ainda conserva partes originais do piso e paredes. Provavelmente o museu mais visitado de Colonia del Sacramento, possui mais de 3 mil peças de cerâmica decorativa em seu acervo, vindas principalmente da França, mas também de lugares como Catalunha, Valência e Nápoles. Além dos azulejos locais.


Museu do Azulejo


Centro Cultural Bastión del Carmen

Entre os principais edifícios históricos de Colonia del Sacramento está o Bastión del Carmen, erguido em 1880 para servir como refúgio da defesa durante as batalhas. Depois que elas acabaram, o local teve outras funções: foi fábrica de sabão, curtume, lavagem de lã, armazém de grãos, entre outros. Depois, foi adquirido pelo Ministério da Educação do Uruguai se tornou um centro cultural. O Centro Cultural Bastión del Carmen tem instalações artísticas e exposições gratuitas, mas o próprio edifício, com sua enorme chaminé e vista privilegiada para o Rio da Prata, já faz valer a visita. O endereço é a Rua Rivadavia, número 223. Além disso, por lá você também pode conferir uma maquete do centro histórico de Colonia del Sacramento.



Centro Cultural Bastión del Carmen


Paseo de San Gabriel

Mais uma inesquecível vista da baía do Rio de La Plata. Se admirar o brilho do sol no rio já é uma excelente vista no final de cada rua, seguir ao lado dele certamente é indispensável em sua passagem por Colonia del Sacramento. O Paseo de San Gabriel é caminho para o bistrô Lentas Maravillas, que fica na Rua Santa Rita, número 61. Um lugar cujo slogan é “o mais bem guardado segredo” e serve de sanduíches a chás e vinhos.


Bastión de San Miguel

Bastión de San Miguel


É o forte de Colonia del Sacramento. Foi construído pelos portugueses em 1745 e fazia parte da grande muralha que defendia a cidade. Tanto que os canhões ainda estão por lá, agora sem colocar medo em ninguém. Está bem próximo ao portão de entrada do Centro Histórico. O Bastión de San Miguel se encontra na parte antiga da cidade, ao lado da Puerta de la Ciudadela. 

Canhão do Bastión de San Miguel


Basilica del Santisimo Sacramento


 Basílica del Santíssimo Sacramento

Essa igreja foi construída no mesmo ano em que a cidade foi fundada, 1680. É considerada a mais antiga do Uruguai, localizada no centro histórico da cidade e é patrimônio mundial pela UNESCO. A estrutura da basílica foi destruída e reconstruída, diversas vezes ao longo do tempo, devido à disputa pelo poder na região entre portugueses e espanhóis. Ainda assim, a arquitetura mantém os traços simples e apresenta referências aos dois países que disputavam a região. E mesmo não tendo uma aparência de tirar o fôlego, conquista seus visitantes pelas histórias que possui.



Voltamos para a Argentina de barco pels empresa Buquebus, comtemplando o por do sol no Rio de a Plata. Gostaríamos de ter ido até Montevideo, mas vai ficar para uma outra vez. A visita em Colônia do Sacramento foi muito diferente de tudo que conhecemos, um passeio muito agradável apesar do pouco tempo. Muita história e beleza em tudo. Recomendamos!  


Informações complementares:



domingo, 2 de junho de 2019

Turistei por Buenos Aires (Argentina) - Cemitério da Recoleta - Trip #28

Oi gente!

No Brasil, não pensamos em visitas a cemitérios como pontos turísticos, soa estranho e mórbido para muita gente. Mas em diversos países,  os cemitérios são vistos como verdadeiros museus. É o caso do Cemitério da Recoleta, na capital Buenos Aires, na Argentina, que visitamos em julho de 2018. O Cemitério da Recoleta é considerado um museu por dois motivos. Um deles é o grande número de obras de arte encontradas lá, decorando os imponentes mausoléus e abóbodas presentes. A outra razão é porque, no cemitério estão os restos mortais de personalidades famosas da política, cultura, arte e ciência. 


História

O Cemitério está localizado no bairro da Recoleta e deve seu nome ao convento dos monges recoletos que ali se encontrava, ao qual também pertencia a vizinha Basílica de Nuestra Señora del Pilar. O cemitério foi construído na antiga horta dos monges. Além disso, merece uma visita por seu valor arquitetônico, pois é uma amostra dos tempos em que o país era uma potência econômica emergente e as principais famílias da Cidade disputavam por construir panteões esplendorosos.



Muitas das abóbadas e mausoléus são obras de importantes arquitetos e estão adornados com mármores e esculturas.  Mais de 90 abóbadas foram declaradas Monumento Histórico Nacional. Foi construído em 1822 como o primeiro cemitério público da Cidade e seu traçado é obra do engenheiro francês Próspero Catelin. No final do século XIX, quando as famílias mais abastadas começaram a se mudar para esta zona da Cidade, passou a ser a necrópole preferida delas. As abóbadas são na maior parte das famílias aristocráticas do país. As sepulturas são de propriedade de cada família e cada proprietário deve pagar uma taxa mensal de administração.


Mapa para chegar a tumba de Eva Perón


O cemitério da Recoleta, assim como o bairro, é bastante caro e reservado às pessoas que possuem boas condições financeiras, portanto, não se trata de um lugar simples, pelo contrário. O metro quadrado mais caro da cidade, está localizado dentro do Cemitério, tanto que a fama do local se iniciou justamente por conta das lápides luxuosas. Para se ter ideia, um túmulo chega a custar US$ 75 mil dólares.  Atualmente, novos sepultamentos não são mais feitos, ocorrendo somente a manutenção dos jazigos existentes. 

Recentemente, o Governo da Cidade realizou uma restauração da entrada para recuperar seu design e características originais. Dentre as personalidades enterradas no Cemitério do Recoleta figuram líderes políticos, presidentes da Nação, escritores, Prêmios Nobel, esportistas, empresários, heróis da Independência, militares, cientistas e artistas.

Visitas ao Cemitério da Recoleta

Túmulo de Eva Peron


O passeio não é para todo tipo de público. Como muita gente diz, temos é que ter medo dos vivos, não dos mortos. Se você também concorda com isso, o passeio é indicado para você,  além de ser indicado para quem gosta de esculturas.  Esteja ciente que você vai caminhar por vielas cercadas de caixões expostos pois nem todos são enterrados, alguns ficam em gavetas abertas. Algo que pode deixar seu tour mais interessante é conhecer um pouco a história até mesmo surreais das pessoas que estão sepultadas por lá (para que seu passeio não seja apenas “andar e ver túmulos”), além das catacumbas de figuras públicas.

O lugar é tão famoso e tem tantos detalhes e histórias a serem contadas que pode ser conhecido através de um passeio guiado oferecido pelo próprio cemitério. A visita guiada dá muito mais sentido ao passeio e permite conhecer um pouco mais da arquitetura dos túmulos e entender porquê um cemitério pode ser considerado uma atração turística. As visitas são gratuitas, com duração de uma hora.



Muitas celebridades, personalidades e protagonistas da história argentina estão sepultadas lá, incluindo Evita Perón, muito querida pelos argentinos, onde sempre há flores deixadas por seus admiradores. O túmulo dela é um dos mais visitados no cemitério da capital portenha.


Infelizmente, a maioria dos turistas acaba indo lá basicamente para visitar a tumba da Evita, o que é um erro, pois além de ser bem mais simples que as outras, existem muitas histórias interessantes sobre outras pessoas. Antes de viajar para a Argentina, pesquisamos sobre essas histórias surreais  e conseguimos encontrar as tumbas de algumas delas. 

1. Rufina Cambaceres, a jovem que morreu duas vezes.

Em uma das esquinas do cemitério da Recoleta está uma das tumbas mais belas, a de Rufina, filha do escritor Eugenio Cambaceres. Diz a história que na noite que a menina fazia 19 anos, sua mãe faria uma grande comemoração e a levaria para o teatro, apresentando Rufina para a sociedade. Porém, antes de sair, a menina foi encontrada morta, toda rígida no chão. Um médico confirmou sua morte e no dia seguinte ela foi enterrada.



Alguns dias depois, os empregados do cemitério encontraram seu caixão aberto com a tampa quebrada. A versão oficial diz que foi um roubo, mas o provável é que a Rufina tenha sofrido um ataque de catalepsia e acordado dentro do sepulcro, já que foram encontrados vários arranhões na parte interior do caixão. Uma estátua mostra a menina segurando uma espécie de maçaneta da tumba, como se quisesse sair ou entrar do mundo dos mortos.


2. David Alleno, o coveiro que se suicidou para estrear a própria tumba


David era empregado do cemitério e sonhava em passar a eternidade ali, no endereço fúnebre dos mais ricos. Economizou durante toda sua vida para isso acontecer. Com a ajuda do seu irmão, ele viajou até a Itália, onde encomendou essa escultura. Detalhe: a lápide foi encomendada já com o ano da sua morte, 1910. Quando era perguntado sobre esse macabro detalhe pelos seus colegas de trabalho, David nada dizia.

Mausoléu de David Alleno



No dia que sua tumba finalmente ficou pronta, David avisou a administração do cemitério que não trabalharia mais ali. Despediu-se dos colegas e foi embora. Ao chegar em casa se matou com um tiro. No seu túmulo há uma estátua que o representa com sua roupa de trabalho, uma regadeira, uma vassoura, um molho de chaves e os dizeres “David Alleno, cuidador en este cementerio 1881-1910”. Em cima da tumba está o nome do irmão que ajudou a pagá-la, Juan Alleno.



3. Liliana Crociati e a conexão com seu cachorro



Visita Guia no túmulo de Liliana


Em 1970, Liliana morreu numa avalanche durante sua lua de mel na Áustria, na cidade de Innsbruck. No mesmo dia, separado por mais de 14 mil quilômetros de distância, seu cachorro Sabú, que era muito especial para a jovem, também faleceu na Argentina. Os pais construíram uma abóbada onde reproduziram o dormitório dela e colocaram sua escultura na entrada, luzindo seu vestido de noiva com o qual foi sepultada e acompanhada por seu inseparável cachorrinho. 


Estátua de Liliana e o seu Cão



4. Salvador María del Carril e Tiburcia Dominguez, o rancor eterno

Salvador María del Carril foi vice-presidente constitucionalista, governador de San Juan e Ministro de Governo, porém ele é lembrado no cemitério pelo péssimo relacionamento que tinha com sua esposa Tiburcia. Depois de uma briga horrível, eles se deixaram de falar e assim ficaram por mais de 30 anos. Del Carríl inclusive fez uma carta pública dizendo que estava cansado das dívidas da mulher e não pagaria mais nenhum centavo do que ela devia.

Quando ele faleceu, sua esposa fez um mausoléu lindíssimo para o marido, com uma estátua olhando para o sul. quinze anos depois, quando Tiburcia morreu, seu último desejo era que seu busto fosse colocado de costas para o de Del Carril, já que seu ódio duraria toda eternidade. Continuam sem se falar e se olhar desde então.

Encontramos os bustos de Tiburcia e Salvador


5. Elisa Brown, a noiva do Rio da Prata

Elisa Brown, filha do famoso almirante Brown, estava esperando a volta do seu noivo, o comandante Francis Drummond, que estava lutando na Guerra Cisplatina, sob as ordens do sogro. Na batalha de Monte Santiago, Francis morre nos braços do Almirante. Sua última vontade foi que entregassem a Elisa o relógio que ele estava usando.

Meses depois da morte do marido e desesperada por não conseguir viver sem seu amor, Elisa se joga ao Rio da Prata com o vestido de noiva que havia sido encomendado para seu casamento e morre afogada. Seus restos estão dentro de uma urna que foi feita com o bronze fundido de um dos canhões da embarcação que Francis usou na guerra.




Como chegar ao Cemitério de Recoleta

O cemitério fica em um dos bairros mais movimentados de Buenos Aires, a Recoleta. Para chegar até lá, você pode pegar o metrô e descer na estação Las Heras, que fica a 850 metros do cemitério. 

Endereço: Junín 1760
Horário: todos os dias das 8 às 18hs.
Entrada: Gratuita

Linhas de ônibus: , 17, 61, 62, 67, 92, 93, 10, 37, 38, 41, 59, 60, 95, 101, 102, 108, 118, 124, 130.
A pé: da Praça San Martín e Rua Florida caminhar pela Avenida del Libertador 10 quarteirões.

Pessoas famosas enterradas no cemitério



Eva Duarte de Perón (Evita): (1919-1952), esposa do general Juan Domingo Peron. Trabalho na área social e foi considerado o Defensora dos trabalhadores.

Domingo Faustino Sarmiento (1811-1888) político, escritor e presidente da Argentina entre 1874-1868.

José Marmol: (1817-1871) poeta e escritor.

José C. Paz: (1842-1912) advogado e jornalista. Ele fundou o jornal La Prensa.

Remedios Escalada de San Martin, esposa do General San Martín.

Guillermo Brown (1777-1857) Irlandês, o almirante e criador da marinha que participaram nas lutas pela independência.

Carlos Maria de Alvear: (1789-1852) soldado que se destacou na luta pela independência americana.

Juan Lavalle: (1797-1841) político e militar. Foi governador da província de Buenos Aires.

Leandro N. Além: (1842-1896) advogado, escritor, poeta e político. Organizou a União Cívica Radical.

Hipólito Yrigoyen: (1850-1933) foi presidente da Argentina duas vezes. Seu último cargo foi interrompido por um golpe militar.

Raúl Alfonsín: advogado e político. Ele foi presidente da Argentina entre 1983 e 1989.

Arturo Illia: (1901-1983) médico e político. Ele foi presidente da Argentina entre 1963 e 1966, seu governo foi derrubado por uma junta militar.

Luis Angel Firpo: (1895-1960) do pugilista peso pesado conhecido como "o touro selvagem dos pampas".

Federico Leloir, (1906-1987) médico e cientista. Ganhador do Prêmio Nobel de Química em 1970.

Victoria Ocampo (1891-1979) escritora e editor. Amiga de Jorge Luis Borges. Abriu sua casa para figuras importantes, como Igor Stravinsky e Le Corbusier.


Os artistas e escultores que têm obras no Cemitério da Recoleta: Luis Perlotti - Carlos Romairone, Rene Sargent - Alfredo Bigatti, José Fioravanti, Jean Alexandre Falguière, Miguel Sansebastiano - Antonin Mercie, Luis Carriere - Pedro Zonza Briano, Alfredo Guttero - Tasso.




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