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quarta-feira, 15 de maio de 2019

Turistei por Recife (PE) - Museu e Oficina de Cerâmica Francisco Brennand - Trip #27

Oi gente!

Já contamos sobre nossa experiência em Recife (PE) no Castelo de Brennand NESSE POST AQUI. Esse é um passeio que pode ser combinado com outros no mesmo dia como a Fundação Gilberto Freyre, o bairro Poço de Panela (com seus casarões junto ao Rio Capibaribe) e a Oficina Francisco brennand, o primo do colecionador Ricardo Brennand, do Instituto Ricardo Brennand. Nesse post falaremos sobre nossa visita ao Museu e Oficina de Cerâmica de Francisco Brennand. 

Accademia

Francisco Brennand 

Francisco de Paula Coimbra de Almeida Brennand nasceu a 11 de junho de 1927 na cidade do Recife (PE) e faleceu em 19 de dezembro de 2019. Cresceu sempre em contato com a arte, interessado em desenho e literatura. Foi colega de outro célebre artista nordestino, Ariano Suassuna, com quem editava um jornal literário nas épocas do colégio. A grande paixão da juventude de Francisco eram as pinturas a óleo, mas depois de visitar uma exposição de cerâmicas de Picasso na França, em 1948, sua vocação artística mudou completamente.

Templo Central

A grande influência para suas obras veio de sua passagem por Barcelona, quando conheceu o trabalho de Gaudí, com suas formas sinuosas e impressionantes. Quando retornou ao Brasil, já era completamente apaixonado pela cerâmica e fez do trabalho com o material a sua vida. 

foto: Ludmilla Balduino

Em novembro de 1971, o artista começou a reconstruir a Olaria São João, uma antiga fábrica de tijolos e telhas fundada pelo seu pai em 1917, instalada nas terras do Engenho Santos Cosme e Damião, no bairro da Várzea em Recife. Deu início então, a um misto de museu, santuário e ateliê, um projeto colossal de esculturas e cerâmicas para povoar os espaços internos e externos do ambiente. Hoje, após décadas de trabalho intenso e obsessivo, nos confrontamos com o complexo do visionário e maior ceramista brasileiro. Cercada por remanescentes da Mata Atlântica, a Cerâmica São João é fonte inspiradora da história do artista pernambucano. 


O complexo do museu-ateliê tem uma área externa – com jardins, e uma área interna – que funciona nos antigos galpões da Cerâmica São João.  O artista, cria um universo particular repleto de templos, pinturas, painéis de azulejos e esculturas, além de jardins projetos por Burle Marx. A visita pode terminar no showroom do artista, que aceita encomendas de azulejos, ou na boa lanchonete. Prepare-se para penetrar num laboratório repleto de criaturas míticas e formas delirantes que transpiram erotismo. Em alguns momentos você não vai saber se está num museu ou no parque de diversões particular do artista. É isso (e não exatamente a estética) que faz de Brennand o Gaudí pernambucano.

A Oficina Brennand

A oficina reúne mais de duas mil obras do ceramista.  Funcionários de Brennand confeccionam peças de cerâmica com toque do artista e algumas peças são vendidas na lojinha dentro do complexo. O espaço impressiona pela grandeza e originalidade das peças de diferentes tamanhos e cores. As formas inusitadas despertam curiosidade, intrigam e perturbam. Cada espaço dentro da Oficina Brennand tem uma característica própria. O mundo que Francisco criou é um universo de sonhos, paralelo ao nosso mundo, que não é fácil de entender, nem de visitar.


A originalidade de Francisco Brennand é incontestável. O artista sabe como ninguém imprimir seu estilo nas obras. Um componente rústico, misterioso, com um forte referência à sexualidade e sincretismo religioso. O canto gregoriano ao fundo nos acalma e nos coloca num estado reflexivo, quase místico. A Oficina Brennand parece um templo, santuário, ao mesmo tempo que é mundano e provocativo. Francisco Brennand é único. 


Salão das Esculturas 

Funcionando num antigo galpão da Cerâmica São João, o salão é repleto de esculturas, vasos e painéis de autoria de Francisco. É uma exposição permanente e dá pra ter uma ideia da versatilidade do artista. O curioso é que as peças, embora sejam tão diferentes, carregam aquela unidade que faz a gente identificar cada peça de Brennand.


Anfiteatro

Ao lado do salão, fica o Anfiteatro, com piso em forma de mandala. Um ambiente que é pura simetria. Parece um pouco com uma sala de banhos romana, com um espelho d’água central. Ao mesmo tempo, lembra um templo religioso, com seu enorme vitral dando cores únicas ao ambiente.

Ali ao lado, ainda ficam duas salas super escuras – que aparentemente eram fornos da velha cerâmica. Esses ambientes me perturbaram muito. O cheiro, a penumbra, a curiosidade pra conseguir enxergar o que tem ali dentro, a música. Tudo deixa uma atmosfera assustadora e provocante. 


Templo Central

Fica bem ao lado do Salão das Esculturas. Mais uma vez a presença de componentes místicos, que lembram templos religiosos, misturados à várias obras com conotação sexual. É meu espaço favorito da Oficina Brennand. 

Templo Central

Praça Burle Marx

Atrás do Templo Central fica um lindo jardim, projetado pelo paisagista Burle Marx e decorado com as esculturas de Brennand. O ambiente é puro contraste com o resto da oficina: são cores vivas, ambientes amplos, até um cisne selvagem negro que vivem soltos por lá. Um respiro de vida pura e simples, depois de tantos mistérios da mente criativa de Brennand.




Accademia



A visita continua nas construções mais distantes do galpão principal. É preciso dar a volta na Praça Burle Marx para chegar na Accademia, uma espécie de galeria onde ficam expostos cerca de 300 desenhos e pinturas de Francisco Brennand.



Cine Teatro e Templo do Sacrifício

Ao lado da Accademia, fica o Cine Teatro Deborah Brennand, nomeado em homenagem à esposa do artista. É um espaço para palestras e projeções, com algumas poucas obras expostas no hall de recepção. Por último, caminhando em direção à saída, fica o Templo do Sacrifício, um conjunto de mais algumas esculturas de Brennand, em ‘homenagem às culturas assassinadas’. O caminho da saída nos leva de volta ao café, onde podemos terminar a visita com um lanche ou almoço e uma bela vista dos jardins.



A visita pode terminar no showroom do artista, que aceita encomendas de azulejos. A obra de Francisco Brennand também pode ser admirada no Parque de Esculturas do Marco Zero, no Recife Antigo. Ali você vai ver Brennand fazendo parte da paisagem da cidade. Mas para viajar pelo seu universo criativo, só mesmo indo até a Várzea.


 Entrada e Funcionamento

Terça a domingo, das 10h às 18h
Fechamento da bilheteria: 17h
Fechado às segundas-feiras

Endereço: Acesso pela Av. Caxangá, 20 km - Várzea

Telefone: (81) 3271-2466

 Os ingressos custam R$20 (inteira) e R$10 (meia-entrada), preços pesquisados em março de 2018. 

O melhor jeito de fazer esse passeio é de carro ou de uber. 


quinta-feira, 2 de maio de 2019

Turistei por Recife (PE) - Castelo de Brennand (Instituto Ricardo Brennand) - Trip #26

Oi gente!  




Há muito tempo queríamos conhecer o Castelo de Brennand em Recife (PE) e em julho de 2018, tiramos um dia para conhecer, em família, o Castelo de Brennand (de Ricardo Brennand) e a Oficina de Brennand (de Francisco Brennand). São lugares diferentes separados pelo rio Capibaribe. Cada lugar deste pertence a um dos primos Brennand. À tarde fomos para o Castelo e de manhã  para a oficina (assunto para um próximo post).

Logo na entrada, o visitante se encanta com uma avenida inteira de palmeiras imperiais.



Restaurante Castelus

Chegamos cedo no Castelo e decidimos fazer um almoço especial no Restaurante Castelus. O restaurante funciona de 12h às 17h e possui uma culinária regional gourmet, comandada pela chef Marie França. Os preços lá são bem caros. O lugar é sofisticado e temático, os garçons muitos atenciosos e havia um pianista fazer a trilha sonora ambiente.


Eu e Thiago pedimos um camarão ao molho de manga e maracujá com creme de jerimum, chips de batata doce e arroz de coentro. As crianças ficaram na carne de sol com batata frita. A sobremesa de júlia, um tipo de sorvete, veio servido dentro da própria casca do coco e Uirá pediu um pudim.



Funcionamento

O Instituto Ricardo Brennand é uma instituição cultural brasileira, funciona de terça a domingo das 13h às 17h  com a última entrada às 16h30. Os espaços expositivos fecham pontualmente às 17h30. As visitas podem ser agendadas pelo site https://www.institutoricardobrennand.org.br/ e os ingressos podem ser comprados antecipadamente on line. Para os amantes das artes, é um lugar imperdível. É um dos melhores museus da América Latina com grande acervo de obras de arte.



Localização e entrada

Localizado nas antigas terras do Engenho São João, no bairro da Várzea, em Recife, ocupa uma área de mais de 77 mil metros quadrados, cercada por uma reserva de mata atlântica preservada.

Endereço: Alameda Antônio Brennand, S/N, Várzea. Próximo ao Campus da UFPE.

Ingressos:
R$ 32 : Inteira
R$ 16 : Estudantes, pessoas com deficiência, professores e idosos com mais de 60 anos
R$ 10 : Instituições particulares agendadas e confirmadas
Entrada gratuita: crianças até 7 anos, guias de turismo e taxistas mediante documentos comprobatórios.
Pagamento com cartão de crédito: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)
Fechado nas segundas feiras

Entrada gratuita nas últimas terças-feiras de cada mês (com exceção dos meses de janeiro, julho e dezembro)


História do Instituto

A coleção começou quando Ricardo Brennand, ainda pequeno, ganhou do pai um canivete, e não parou mais de colecionar.  Ao longo de sua vida, por mais de meio século, ele reuniu, de forma apaixonada, os mais diferentes exemplares de armas brancas, produzidos por exímios artesãos, todos ligados diretamente à história do Ocidente e do Oriente. 



Inaugurado em 2002, o instituto salvaguarda um valioso acervo artístico e cultural originário da coleção particular do industrial pernambucano Ricardo Coimbra de Almeida Brennand. Possui uma das mais modernas instalações museológicas do Brasil, abrangendo um complexo de edificações constituído pelo Museu Castelo São João (museu de armas brancas), pinacoteca com   auditório, cafeteria, lojas e jardins. Há ainda uma biblioteca e galeria para exposições temporárias e eventos, além de uma capela e um restaurante. 

Museu das Armas São João

O Museu em estilo medieval foi criado para abrigar a coleção de armas brancas, armaduras e obras de arte de várias procedências e de diferentes épocas que Ricardo Brennand vem reunindo ao longo de sua vida. Tem um acervo em torno de 4000 peças, considerada uma das maiores coleções particulares do mundo. 

Neste museu, o visitante encontra um verdadeiro tesouro na arte da cutelaria. São mais de 3 mil peças dentre facas, espadas, adagas, canivetes, estiletes e armaduras. O visitante também encontrará pinturas orientalistas e uma grande variedade de arte decorativa. Destacam-se ainda espadas de caça alemã, espada egípcia cravada em ouro e diamante. Há ainda o conjunto de fuzis pertencentes a D. Pedro I e D. Pedro II. 



Também no Castelo encontramos preciosos exemplares de vitrais e mobiliários góticos que se misturam com esculturas clássicas, candelabros, tapetes e pinturas, integrando o complexo cultural do Instituto Ricardo Brennand.

Pinacoteca e Galeria

O lugar tem um salão (pinacoteca) com cerca de 1.200 metros quadrados para exposições de quadros. Existem diversos espaços pra exposição. Os espaços são destinados a receber mostras itinerantes e outros eventos de natureza social.  A galeria foi inaugurada em 2011 para integrar o conjunto arquitetônico composto pelo castelo e pinacoteca. No período entre exposições, a galeria apresenta um panorama de artistas pernambucanos como Francisco Brennand, Tereza Costa Rêgo, José Cláudio, Ismael Caldas, Reynaldo Fonseca e Aloísio Magalhães, que fazem parte do acervo de pintura.



Biblioteca José Antônio Gonçalves de Mello

A biblioteca está localizada no prédio da pinacoteca. Especializada em arte, história e arquitetura, a Biblioteca José Antônio Gonçalves de Mello, do Instituto Ricardo Brennand, com cerca de 60 mil itens, detém um enfoque na história colonial brasileira, com destaque para o período referente ao Brasil holandês. Com incursões pela filosofia, antropologia, sociologia, história do açúcar e pelas artes como pintura, escultura, tapeçaria, teatro e dança, o acervo inclui também literatura brasileira e mundial.


Sobre a produção musical brasileira, destacam-se partituras em dois fundos documentais de pernambucanos, o do compositor Euclides de Aquino Fonseca (1854-1929) e o do musicólogo Padre Jaime Cavalcanti Diniz (1924-1989)

Esculturas 

A coleção de esculturas dá destaque para as réplicas das principais obras do barroco italiano além do destaque para as peças de mármore branco


Os jardins do Castelo são decorados com belas esculturas em mármore. É fácil se encantar com tantas belezas ao redor do museu.

Jardim das Esculturas

Capela de Nossa Senhora das Neves


A Capela de Nossa Senhora das Graças, parte integrante do conjunto arquitetônico do Instituto Ricardo Brennand  possui estilo gótico com projeto de Augusto Reinaldo Alves Filho. O novo templo dispõe de 600 m² e 21 metros de altura, podendo receber até 300 pessoas sentadas.




No altar principal, está suspensa uma imagem em tamanho natural de Jesus Cristo. A nova construção conta ainda com rosáceas como as usadas em catedrais durante o período gótico, que transmitem, através da luz e da cor, o contato com a espiritualidade. Possuem Catorze anjos em seus vitrais que completam a beleza arquitetônica do local. As missas são realizada na capela Nossa Senhora das Graças, sempre no primeiro e terceiro domingo de cada mês, das 12h às 13h.

 

domingo, 1 de abril de 2018

Turistei por Caruaru (PE) - Museu Luiz Gonzaga - Trip #6

Oi gente!

Em abril de 2018 fomos ver a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém (leia mais sobre essa viagem aqui) e nos hospedamos em Caruaru (PE). Então aproveitamos o dia seguinte para conhecer um pouco da cidade. Como era um domingo, não tinha muitas opções de locais abertos. Então, escolhemos passar por três lugares que estavam disponíveis no feriado. A primeira foi a feira de Caruaru, a famosa feira da sulanca. Realmente é como dizem, tem de tudo um pouco. Pesquisando, você encontra muita coisa de qualidade, principalmente na parte de vestuário, com preços bem acessíveis. 

Museu Luiz Gonzaga 



Trio pé de serra na feira de Caruaru


Dançamos um forrozinho ao som de um trio pé de serra na feira, ouvimos uma banda de pifes, almoçamos e partimos para o Museu Luiz Gonzaga. E pra encerrar, fomos ao Pólo Caruaru. Fizemos nossas compras de lembrancinhas no final. Nesse post vamos nos deter a falar sobre o que achamos mais legal, que foi conhecer o Museu Luiz Gonzaga. 

Banda de Pífanos na Feira de Caruaru

O Museu se concentra basicamente em três partes. A primeira dedicada a vida e obra de Luiz Gonzaga, outra dedicada a Elba Ramalho e a terceira é o Museu do Barro, com uma sala dedicada ao Mestre Vitalino, Paga-se uma taxa simbólica de dois reais e um guia lhe acompanha na visita. O espaço cultural tem um grande estacionamento onde acontece a festa do São João de Caruaru. Tem também um auditório, uma reserva técnica para guardar as obras mais valiosas e uma sala de cinema para 50 pessoas. 


Na feira de Caruaru

Nosso guia e coordenador do museu Rowano Cavalcante, já havia trabalhado quatro anos em nossa cidade João Pessoa, na TV Cabo Branco como fotógrafo. Ele foi hiper, mega, super gente boa. Ele tirou todas as nossas dúvidas e conhece tudo sobre o lugar e a cultura local. 


Pólo Caruaru

As obras da primeira sala que visitamos foram construídas por artesãos locais para homenagear os 100 anos do nascimento de Luiz Gonzaga, em 2012. Ele nasceu em 1912, em Exu, cidade do interior de Pernambuco, a 628 quilômetros da capital, Recife e a 589 quilômetros de Caruaru. Entre as diversas obras, nós destacamos uma miniatura da homenagem que o bloco de carnaval Galo da Madrugada fez a Gonzaga, com uma obra de cinco metros de altura. Outra obra representa o Programa de Ari Barroso da TV Tupi (primeira TV brasileira a fazer programa de auditório) onde Gonzaga é reprovado e depois ganha o prêmio máximo. Destacamos também o vestido rodado e o timão que Gonzaga falava na música "O xote das meninas". (assista nos vídeos dessa postagem)  


Estátua de Luiz Gonzaga na parte externa do Museu


Uma das peças se chama "Ave Maria sertaneja" em homenagem a Santa Luzia. O dia de Santa Luzia é 13 de dezembro, o mesmo dia de Gonzaga. Lá tem também uma fantasia de carnaval que foi usada pela agremiação carnavalesca Unidos da Tijuca, terceiro lugar no Carnaval do Rio de Janeiro em 2012, Naquele ano, a Escola de Samba faz uma ala com 400 roupas em homenagem ao centenário do nascimento de Gonzaga. A escola doou uma roupa para Caruaru e outra para o Museu de Luiz Gonzaga em Exu. Por pouco, não conhecemos Onildo Almeida que foi o compositor da música "A feira de Caruaru"  (e de mais 24 músicas pra Gonzaga). Ele tinha acabado de sair do Museu quando chegamos. 




Ao som do melhor repertório de Gonzaga fomos visitar outra sala. Lá também se encontram o jibão e a sanfona que Gonzaga usou no último show em 1989 no Teatro Guararapes em Olinda.  Entre os instrumentos, suas sanfonas que pesavam de 13 a 16 kg. Ele foi o primeiro a tocar a sanfona em pé e seus shows duravam cerca de cinco horas! Lá tem um inúmero acervo de fotos, objetos e documentos pessoais como óculos, agenda, rede, long plays e bolachões. Algumas fotos mostram ele no exército em Fortaleza, onde ele pega caxumba e fica estéril. Ele não era pai de Gonzaguinha nem de Rosinha. Gonzaguinha era filho de sua primeira mulher, uma dançarina de cabaré, que estava grávida de dois meses e não sabia, quando foi morar com Gonzaga. Assim, Gonzaga assume o filho de outro pai. O ator que fez o papel de Gonzaga (adulto) do filme "De pai pra filho" trabalha neste museu e foi descoberto na sala em que estávamos. No período do São João, esse ator se veste de Gonzaga e fica tocando recebendo os turistas no museu. Ficamos sabendo que no filme que assistimos falta 40 minutos, pois a filha de Gonzaga (que ainda é viva), da segunda esposa, entrou na justiça e conseguiu tirar esse tempo do filme, não deixou falar da vida de Gonzaga com a segunda esposa.  




O instrumento que a gente conhece hoje como alfaia, na época de Gonzaga era chamado de zabumba. Tem vários instrumentos lá também como a sanfoninha pé-de-bode e o fole de oito baixos. Tem fotos do Mestre Camarão que colocava 200 pessoas tocando sanfonas de 80 e 120 baixos. Tem uma parte dedicada aos festejos juninos com as comidas típicas, receitas, objetos como a lamparina, ferro de engomar antigo e os santos São João, São Pedro e Santo Antônio. Tem imagens com Jacinto Silva, Jackson  do Pandeiro, a primeira banda de pífanos que acompanhou Luiz Gonzaga e os bacamarteiros  originários na Guerra dos Guararapes. Tem discos e imagens da Banda de Pífanos de Caruaru que existe há 108 anos, passando de pai pra filho essa arte. Caruaru está no Guiness book há 26 anos, como a cidade mais cantada no mundo com 4.600 músicas. A cidade produz 26 comidas gigantes no São João, como uma cuscuzeira imensa, que passa três dias cozinhando o cuscuz e depois a comida é distribuída de graça, com bode guisado e cerveja, rs. 




Gonzaga nunca estudou música, mas conhecia realmente o instrumento. Era autodidata e criou a formação do trio pé de serra com triângulo, sanfona e zabumba. Boa parte do acervo que está lá é graças a doação de sua filha. Gonzaga era maçom. Ele usava uma coleção de óculos devido a uma cicatriz que tinha no olho com 34 pontos. A cicatriz é fruto de um acidente de carro que ele sofreu, quando a direção quebrou e ele caiu de uma ponte dentro do rio. Naquela época, só cuidou da cicatriz do olho e das escoriações. Passou 12 anos e 8 meses com um fêmur fraturado (5 cm de fratura até a bacia), sem saber, devido ao acidente.Naquela época não existia ressonância. Ele tocava sanfona, sentindo dor e só descobriu a fratura, fazendo exames ao ser diagnosticado com osteoporose.




Ele Morreu em Recife, já internado no hospital há 10 dias, de falência múltipla de órgãos, por infecção generalizada. No museu há o seu "Diploma de Falecimento". Até 1989, toda cidade do  interior tinham duas ordens de liberação de corpo: o diploma de falecimento e a certidão de óbito dada pelos hospitais. A diocese tirava esse diploma, e com o tempo, diminuiu o seu tamanho, transformando-se no "santinho" com a foto do falecido.  Tocou junto com Gonzaguinha uma única vez sendo no Canecão no Rio de Janeiro. Passou dois dias pra ser enterrado com tantas homenagens.

Para nós foi uma grande experiência e oportunidade conhecer mais um pouco da história e da obra de Gonzagão, um dos maiores artistas da música popular brasileira. Comentamos aqui sobre alguns aspectos que se destacaram para nós, ou foram novas informações adicionadas ao que já conhecemos sobre a vida e obra do Mestre Lua. Ainda queremos visitar Exu (PE) um dia, para viver mais de perto essa emoção de estar perto do Rei do Baião. 

quinta-feira, 29 de março de 2018

Turistei por Brejo do Madre de Deus (PE) - Paixão de Cristo de Nova Jerusalém - Trip #5

Oi gente!

Entrada da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém (PE)


A ideia dessa postagem era falar sobre a Fortaleza de Santa Catarina em Cabedelo (PB), mas como fizemos poucos registros nas duas vezes que fomos (em 2016 e 2017) , vamos deixar esse conteúdo pra uma próxima vez. A segunda vez que fomos na Fortaleza de Santa Catarina foi para assistir a encenação da Paixão de Cristo, na páscoa com Thiago e as crianças, Uirá e Júlia. Fiquei admirada como eles fazem um trabalho bem feito e organizado. Se tem algo que Júlia não gosta de perder é assistir a Paixão de Cristo, pode ser até na pracinha da esquina, mas tem que ter "a Paixão" todo ano.  Assim, em 2018, quando ela perguntou onde iríamos assistir, pensamos logo na referência desse espetáculo que é a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, no distrito Fazenda Nova, município de Brejo do Madre de Deus (PE), localizado a 202 quilômetros de Recife, capital de Pernambuco.

Vista do Hotel em Caruaru

Na Fazenda Nova existe um hotel que abriga também os atores da encenação, porém só é possível conseguir reserva muitos meses antes. Como nós só decidimos viajar três dias antes, foi bem complicado conseguir hospedagem. Só conseguimos fazer reserva pelo booking, num hotel pequeno no Centro de Caruaru, a 42 quilômetros da Fazenda Nova. Nessa época, eu confiava e acho que ainda confio só que um pouco menos 100% no GPS, então abrimos o aplicativo e seguimos de João Pessoa rumo a Caruaru para deixar nossas coisas no hotel ainda de dia e nos dirigir ao local do Espetáculo. A previsão do tempo de viagem era em torno de 3h30, porém, ao chegar em Goiana, seguimos a indicação do aplicativo e fomos pelo caminho mais curto que ele indicava, canaviais a dentro, por caminhos estranhíssimos, até perdermos o sinal do GPS.

Ansiosos para assistir o espetáculo

Foi um alívio quando vimos a primeira placa com o nome Gravatá e outra com o nome Caruaru. Nunca peguem caminhos mais curtos pelo GPS. Vão pelas estradas oficiais e se informem antes. Demoramos bem mais tempo do que deveríamos e quase que chegamos ao anoitecer para ir procurar o hotel, antes de ir assistir o espetáculo. O hotel, como todos os outros nesse período pela região, estava lotadíssimo, com vários ônibus de Turismo, mas conseguimos fazer check-in a tempo.


Vista aérea da Fazenda Nova. Foto: wikipédia

Levamos cerca de 50 minutos pra chegar a Fazenda Nova. Nós já havíamos comprado as entradas pela internet. Uma dica: se você for com crianças, leve a carteira de estudante e o RG ou certidão de nascimento. Eles realmente checam tudo. O Estacionamento é grande e com muitos "flanelinhas". Quando chegamos estava chovendo e o chão do estacionamento é no barro. Então, nada de roupas brancas, principalmente calças. Sim, chove todo ano, segundo os moradores e comerciantes locais. Tivemos que comprar capas de chuva para todo mundo para assistir o espetáculo, com chuva e tudo. O clima de lá é frio. Levem casacos.








O ambiente já faz você entrar no clima com grandes muralhas e os guardas vestidos a caráter. São muitas bilheterias para retirada dos ingressos, banheiros e com muitas opções de comida a preços acessíveis em frente.







O espetáculo da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém é o maior teatro ao ar livre do mundo. São centenas de atores, figurantes e corpo técnico, além de milhares de pessoas assistindo, todos os dias. A encenação começou em 1951 e a cidade-teatro réplica de Jerusalém, foi inaugurada em 1968, reproduzindo os últimos dias de Jesus.




O lugar tem cem mil metros quadrados, um terço da área total da Jerusalém original. As muralhas de pedra tem quatro metros de altura com setenta torres, de sete metros cada uma. Possui nove palcos (entre eles templo, cenáculo, palácio de Herodes, fórum de Pilatos, Sinédrio, Monte das Oliveiras, túmulo de Jesus, local de sermão de Cristo) onde acontecem as cenas sequencialmente. Os expectadores caminham de um palco para outro durante a apresentação.


O público fazendo parte da cena

Judas se enforca


Ao final de cada cena, as mensagens de áudio da produção do evento indicam para onde todos devem se deslocar, pedindo para terem calma pois o espetáculo só inicia quando o público todo chegar no próximo palco. As pessoas com necessidades especiais, como os cadeirantes, tinham monitores disponíveis para fazer o deslocamento de um lugar para outro e tinham lugar reservado para assistir.





Para quem vai com criança pequena, é um pouco complicado para elas assistirem com os adultos na frente. Com sorte e caminhando mais rápido, você consegue um bom lugar na frente no próximo palco. Nos revezamos entre segurar Júlia nos braços ou ela sentar no pescoço de Thiago para conseguir ver. Um espetáculo de mais de duas horas em pé é complicado até para um adulto, imagine para uma criança. Mas cada cena valia a pena! Júlia se envolveu tanto na história que quando o personagem gritou "Crucifica Jesus!" ela protestou veementemente gritando e repetindo em meio ao povo: "Crucifica Barrabás!" Sem esperar aquela reação de uma criança, todos riram, rs.





A produção é incrível, tudo muito organizado, com efeitos especiais visuais e sonoros, Se destacam até os cavalos adestrados que participam. Entre os atores principais, todos os anos são convidados artistas conhecidos da mídia de renome para protagonizar a história. Nesse ano, Victor Fasano era o Rei Herodes. A única parte ruim mesmo é ficar em pé, mas em dado momento, o púbico faz parte da cena acompanhando Jesus carregando a cruz.


Foi uma experiência única que recomendamos assistir, independente de religião. Ao final do espetáculo, fomos lanchar e comprar lembrancinhas do local nas barracas em frente, antes de retornar para o hotel em Caruaru. 



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